Qual
o tipo de filme é sua vida???
Ontem,
dia 29/5/13 , estava fazendo hora no centro de Niterói e acabei indo ao cinema.
Fato que gostaria de destacar é a iniciativa das Produtoras, exibidoras e a
Anuncie que em acordo criaram um tipo de “sessão desconto” que reduziu a entrada
dos filmes nacionais em um horário específico. No meu caso peguei a sessão das 15
horas, paguei a meia entrada só R$ 3,00 e vi o filme Somos Tão Jovens. A sala estava
meio vazia, e contava, em sua maioria de estudantes e idosos, pelo horário são
os únicos que não tem grandes compromissos.
Contudo
não é no fato da “Sessão desconto” que quero me ater, e sim no filme, ou ainda
melhor no que ele representou para mim e das coisas que ele me trouxe a
memória.
De
uns anos pra cá, o cinema brasileiro tem adotado uma estratégia que a indústria
norte-americana já utiliza há décadas: a de retratar nas telas a história de
personalidades populares como chamariz para o público. A ideia deu certo.
Filmes como Cazuza – O
Tempo Não Para (2004), Raul
– O inicio, O Meio e o Fim (2012) e o próprio Somos
Tão Jovens
(2013) levam multidões aos cinemas. Uma espécie de cinebiografia.
Porem
estas ilustrações são hiperlotadas de plumas e paetês, muito gliter para o meu
gosto. E isso me deixa pensativo e até mesmo preocupado. A representação destes
personagens como ícones, heróis, ídolos podem, e mexem com a mente dos
espectadores (tiro por mim, que me considero um ser pensante e critico, sai da
sala com um ego super exaltado, afim de jogar o mundo pro alto e pegar meu
violão e começar a compor), imagine as crianças e jovens que compõem parte considerável
destas bilheterias o que não pensam?
Quero
que fique claro que não estou aqui para falar mal destes personagens, muito
menos dos produtores e diretores destes filmes. Considero muitos destes
artistas representados como revolucionários, críticos do sistema e
transformadores de opiniões e dou a honra por isso e creio que devem sim ser
lembrados. Entretanto vou ressalvar que em uma tela de vídeo as coisas são muito
diferentes da vida em si.
Não sou
tão velho, então não vivi no tempo destes ícones. Porem vivo o reflexo de suas
atitudes em minha geração. Mas não recomendo que tomemos eles como exemplos,
algo que a mídia tenta nos transmitir e que veemente quero me contrapor. Vou me
restringir a vida destes três personagem dos filmes citados a cima, Raul
Seixas, Renato Russo e Cazuza.
Um
breve resumo de suas vidas:
Raul Seixas (Salvador,
28/06/45 — São Paulo,
21/08/89) cantor,
produtor e compositor,
frequentemente considerado um dos pioneiros do rock
brasileiro, e por vezes é chamado de "Pai do Rock
Brasileiro" e "Maluco Beleza". Adquiriu um estilo musical que o
creditou de "contestador e místico. Raul se interessava por filosofia
(principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história,
literatura
e latim
e algumas crenças dessas correntes foram muito aproveitadas em sua obra, que
possuía uma recepção boa ou de curiosidade por conta disso.
Era comum apresentar-se bêbado em 82
é quase linchado pela plateia que não acredita que Raul é o próprio, mas um
impostor. Ficou grandes períodos sem gravadora e também sem perspectiva de novos
contratos. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. Raul é então convidado
para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo.
Mas depois teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo
excessivo
de álcool
e constantes internações para desintoxicação.
Durante os shows, Raul mostra-se
debilitado. Tanto que só participa de metade do show, a primeira metade é feita
somente por Marcelo Nova.
Na manhã do dia 21 de agosto, Raul Seixas foi
encontrado morto sobre a cama , por volta das oito horas da manhã em seu
apartamento em São Paulo, vítima de uma parada
cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético,
e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite
aguda fulminante.
Renato Russo (Rio de
Janeiro, 27/03/60 — Rio de Janeiro, 11/10/96) foi um cantor e compositor
e escritor brasileiro,
célebre por ter sido o vocalista e fundador da banda
de rock
Legião Urbana.
Antes de fundar o grupo, Renato integrou o grupo musical Aborto
Elétrico, do qual saiu devido às constantes brigas que havia entre
ele e o baterista
Fê Lemos.
Sua
historia é marcado pela polemica e por sua vida boemia. Poderia ser
classificado como melancólico e tinha grandes distúrbios emocionais. Viciado em
heroína, tem a sua carreira desfalcada, alguns shows cancelados pela falta de
condição de subir ao palco. Tenta mais de uma vez suicidar-se e em um destes
eventos fica impossibilitando de tocar.
Renato morreu devido as complicações
causadas pela AIDS
em 11 de outubro
de 1996,
na época com 36 anos. Amigos do cantor afirmam que o mesmo contraiu a doença
após se envolver com um rapaz que conhecera em Nova Iorque,
portador da doença, em 1989.
Cazuza (Rio de Janeiro, 04/04/58 — Rio de Janeiro, 07/07/90), cantor, compositor,
poeta
e escritor
brasileiro.
Ganhou fama como vocalista e principal letrista
da banda Barão Vermelho. Sua parceria com Roberto Frejat
foi criticamente aclamada. Também ficou conhecido por ser rebelde, boêmio e
polêmico, tendo declarado em entrevistas que era bissexual.
As
brigas com a mãe eram constantes. Ela ficou chocada ao descobrir maconha no
quarto do filho quando ele tinha 15 anos. Vicio que junto ao alcoolismo
acompanhou toda a sua vida. Em agosto de 1985, Cazuza é internado para ser tratado
por uma pneumonia, causada pelo seu estilo de vida. Em 1989 declarou ser soropositivo
(HIV/AIDS) e sucumbiu à doença
em 1990, no Rio de Janeiro.
Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, onde: Raul seixas ocupa o 19° lugar; Renato Russo o 25° e Cazuza o 34°.
Agora pergunto, o que realmente tiramos de proveitoso da
vida destes seres mortais? Olhando pelo lado das manias, vícios e depressões quem escreveria um filme? Detalhes que pouco são ilustrados nas telas do
cinema, mas que eram companheiros constantes de suas vidas.
No filme que vi, há retrato de suas lutas e das suas
conquistas, retrata sua vida como boa, divertida, pouco frisando sua depressão,
suas fragilidades, seus vícios. Tem um final épico no ague da carreira dele, no
palco do Circo Voador.
Onde estão os pulsos cortados, os dias de ressaca, o não
cumprimento de obrigações por não ter condições físicas para isso.
Vi uma bela encenação, nada real, que faz as pessoas
adorarem a titulo Pop Star, mas que não são expostos a realidade fria e dolorosa
dos fatos.
Escreva o filme de suas vidas, vidas reais, onde temos
sim altos e baixos, mas nos firmamos em buscar um centro lógico, onde
priorizaremos a vida, sem grandes exaltações, e mesmo assim não deixando de ser
feliz.
Viva as coisas boas que este mundo pode te proporcionar,
mas não saia dele deixando a impressão de que falhou, ou porque foi EXAGERADO,
um MALUCO BELEZA ou porque se mergulhou em um VICIO SEM FIM abreviou sua
existência e tornando-se indigno de ser seguido.
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